O modelo básico de CT é o residencial, como afirmam NIDA, De Leon e Got. O tratamento pode ser em regime de internação de curta duração, e outras de longa duração.
De Leon cita que a permanência tradicional na CT era de 12 a 18 meses, fato que tem se modificado na atualidade, sendo que para as CT filiadas na Federação Brasileira de Comunidades Terapêuticas (FEBRACT) a permanência padrão varia entre 6 e 9 meses.
De acordo com vários autoresum dos critérios mais determinantes do trabalho da CT atual é o público atendido, sendo o foco o atendimento exclusivo de dependentes do álcool e de outras drogas.
Em relação ao sexo da população atendida, as CT podem ser masculinas, femininas ou mistas, prevalecendo, no Brasil, as CT masculinas, como pode se perceber pela amostra referente às CT filiadas na FEBRAC assim como pelo Relatório do CFP. O critério de idade também é muito variável, mas o padrão no Brasil é entre 18 e 65 anos, havendo algumas CT que admitem menores de idade, e outras que aceitam idosos para o tratamento.
Já em relação à quantidade de residentes atendidos numa CT, esta é muito variável. Segundo dados do NIDA um programa típico de CT abrigaria entre 40 e 80 pessoas.
Para Maxwell Jones a ideia primeva da CT seria o ambiente democrático, de mobilidade social, no qual todos os membros possam fazer-se responsáveis pelo grupo e pela instituição, independentemente das suas características pessoais.
Desta forma nas CT democráticas a autoridade seria uma prerrogativa do grupo como um todo, e não de um ou alguns membros do mesmo. Isto implica uma grande complexidade do espectro social da CT, normalmente muito difícil de administrar e regular. Como mostra De Leon, para todos os efeitos, existe uma autoridade máxima de referência dentro do ambiente da CT, sem que por isso desapareça o ambiente democrático de relações horizontais e de controle social compartido.
Como mostra a regulamentação da Anvisa, as CT baseiam seus programas de tratamento no modelo psicossocial, considerando sempre as relações interpessoais como o principal agente de modificações de comportamento, como afirma De Leon.
Maxwell Jones5 afirma que quaisquer habilidades, tanto dos terapeutas quanto da instituição como um todo, seriam ineficazes se o clima social da CT como unidade estiver em contradição com as mesmas.
Por este motivo, Emilio Rodrigué afirma que:
Sabe-se que uma CT é, para usar um quase neologismo antiantiterapêutica. Ou seja, soluciona determinados agentes antiterapêuticos, patógenos, tais como a privação sensorial e social, próprios das instituições totais em geral, e do asilo clássico em particular. [...] Para diminuir a privação emocional e social a CT deve proporcionar uma série de papeis sociais.
Para Maria Elena Goti a CT é:
uma instituição onde tem lugar um processo de crescimento pessoal acompanhado de um processo de aprendizagem social. Isto implica que não é um lugar onde alguém se 'cura', mas onde muda, cresce e amadurece, e onde aprende a ser um membro útil e produtivo para a sociedade.
Um dos principais avanços das CT contemporâneas, para De Leon é "a passagem [...] de uma comunidade alternativa para dependentes químicos excluídos que presumivelmente não tinham condições de viver em sociedade a uma instituição de serviços de atenção [...] que prepara os indivíduos para a reintegração à sociedade mais ampla".
Ele ainda afirma que "é ao se esforçar para satisfazer as expectativas de participação da comunidade que os residentes perseguem suas metas individuais de socialização e crescimento psicológico". Desta forma, o dependente que consegue socializar-se dentro da CT teria desenvolvido recursos internos suficientes como para dar conta de uma posterior socialização, no suposto "mundo real".